sábado, 11 de janeiro de 2014

Casa das Tias

Óleo Sobre Tela | 100x70cm
 Esta Tela é para eternizar as lembranças de minha infância.

 
Tia Pinota e Tia Riqueta (é claro, Josefina e Henriqueta) tias de meu pai...
 A casa delas, (construída no final do Século XIX) 
era para eu e minhas irmãs, como um castelo mágico de contos de fadas.
Não era possível ir a Nova Trento sem visitar a casa das Tias... 

2 comentários:

  1. O Jardim de seixos

    Em Nova Trento havia uma pequena casa. Antiga do inicio do século passado. tinha paredes grossas, janelas de tábuas, sótão, um fogão de lenha com cimento queimado vermelho com forno. Ao lado da porta de entrada ficava um armário verde com portas de tramelinha e lata de cavaco encima. no centro da cozinha tinha uma mesa que parecia ter trezentas cadeiras e toalha de xadrez azul. No outro lado, uma pequena prateleira com um rádio ondas curtas onde se ouvia a rádio Aparecida. Na sala não tinha sofá, só mais cadeiras e quadrinhos nas paredes, de santos, lembranças de batismo, filhas de Maria, comunhão, calendários de vários anos, uma mesa no canto com toalha, flores e bonecos de santos.
    Saindo da cozinha para a sala havia um pequeno corredor. Os quartos eram três, dois de um lado, um do outro. tinha um cheiro de colchão de palha, poeira e guarda roupa. Da janela do quarto do lado esquerdo ficavam as duas tias avós. Espiavam o movimento da rua o viam o jardim lateral cheios de dálias vermelhas e amarelas, e gritavam e corriam para a porta quando viam visitas chegando na entrada.
    Nos fundos da casa a uns 60 metros ficava o tanque de lavar roupas e o poço. O poço aguava em um pequeno córrego de água cristalina e gelada, parecia com poços de histórias de fadas.
    Tudo isso era mágico. Principalmente o jardim da frente. Era pequeno e estreito, fazia um caminho de seixos que passava pela porta da frente e ia até o lado oposto da casa. De cada lado do caminho, muitas flores, principalmente os pés de ixora. Lembro também das margaridas, estrelas do mar, grama preta, roseiras e uma camélia flor de bolo cor de rosa, mas o pé e as flores da ixora era o meu preferido. Estava sempre florido em qualquer mês do ano. Os pequenos buquês vermelhos alaranjados encantavam meus olhos. Sentada nos seixos brincando com as pedrinhas nem via o tempo passar. Somente o barulho de um carro ou outro na rua quebrava o silencio mágico do jardim aonde vez ou outra passarinhos iam e vinham. Neste pequeno e mágico jardim o tempo parava suspenso por pequenos seixos e flores de ixora e camélia cor de rosa.



    (Para Enriqueta e Josefina Por Katia Regina Sartori Diemond)

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  2. Era isso mesmo... lembranças mágicas... saudades...

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